Metáfora por: Eliane Santos


O que é Metáfora?

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra deriva do latim metaphòra (metáfora), por sua vez trazido do grego metaphorá ("mudança, transposição").

O prefixo met(a)- tem sentido de: "no meio de, entre; atrás, em seguida, depois".

O sufixo -fora (em grego phorá) designa: “ação de levar, de carregar à frente”.

A Metáfora tem a conotação de transportar o sentido literal de uma palavra ou frase, dando-lhe um sentido figurado: “Meu coração é um balde despejado” – Fernando Pessoa

Em PNL metáfora é a comunicação indireta através de uma história ou figura de linguagem implicando uma comparação. A Metáfora abrange similaridades, histórias, parábolas e alegorias de forma aberta ou oculta, que uma coisa é como outra.

A metáfora se comunica com os dois lados de nosso cérebro é compreendido literalmente pelo lado esquerdo associado à mente consciente, lógica e racional, onde se encontram as estruturas responsáveis pelo processamento da linguagem. Ao mesmo tempo, é compreendido no seu sentido figurado pelo lado direito associado à mente inconsciente, intuitiva, criativa, emocional e sábia. A metáfora usa uma linguagem simbólica que é característica da linguagem primária do inconsciente.

Para que serve?

A metáfora faz parte da comunicação coloquial das pessoas: "doce como mel", "fofo como algodão", “duro como uma rocha”, etc. Está presente, nas fábulas, parábolas, estórias infantis, mensagens da Bíblia, nos textos sagrados, também fazem parte das músicas e dos poemas, e é o que faz uma piada ser engraçada.

As empresas de propaganda e marketing fazem uso freqüente das metáforas. Desde o nome das empresas e dos produtos, seus símbolos e logotipos, seus anúncios e comerciais estão repletos de mensagens metafóricas. Na verdade, o que fica gravado como aprendizado em nossa mente, não é o sentido literal da estória, mas o sentido figurado e metafórico que é captado pelo nosso inconsciente.

A metáfora induz a um processo natural de mudança. Ao contrário de uma ordem ou sugestão direta, a metáfora permite à pessoa conscientemente travada e sem saída, perceber, inconscientemente, alternativas que não eram visualizadas anteriormente.

O uso da metáfora em psicoterapia tem sido cada vez mais freqüente. Freud fazia uso das metáforas nas interpretações dos sonhos, na livre associação de idéias, na metáfora do complexo de Édipo. Jung aprofundou o uso das metáforas ao expandir a interpretação dos sonhos e fantasias de seus pacientes, através dos mitos, símbolos e arquétipos.

Milton H. Erickson teve a sensibilidade de compreender o valor e os benefícios do uso das metáforas junto com a hipnose. Erickson acreditava que as mudanças significativas ocorriam a nível do inconsciente e que as metáforas permitiam um trabalho mais direto com a mente inconsciente.

Parece haver uma correlação entre o que Erickson chamava de inconsciente e o que os neuro-psicologistas chamam de hemisfério não-dominante (hemisfério direito). O Hemisfério Direito tem um tipo de processamento artístico e integrativo. Parece que as metáforas se conectam e se utilizam do funcionamento do Hemisfério Direito, o que ajuda o cliente a liberar sua própria criatividade.

Nos seus últimos anos como terapeuta Erickson, ajudava seus clientes, apenas contando estórias e metáforas criadas a partir da história pessoal de cada um. Personalizava cada metáfora, moldando-a sob medida para as necessidades específicas daquele cliente. Conseguia, assim, eliciar as respostas dos próprios clientes para os seus problemas, num processo de auto-ajuda e de autocura.


A metáfora pode ser usada como uma "ferramenta" no processo terapêutico por várias razões:

1. A metáfora é uma técnica não manipulativa. No uso das metáforas o terapeuta não oferece uma interpretação, ao contrário, permite que o cliente extraia seu próprio significado, consignando seus próprios valores à estória.

2. No processo de compreensão da metáfora, o cliente tem de adotar uma orientação interna; isto é, vai para dentro de si mesmo e usa suas próprias experiências de vida para dar sentido à estória. Muitos processos terapêuticos incluem a introspecção como uma "ferramenta" primária. Este processo permite ao cliente começar a confiar em si mesmo e em seus próprios recursos.

3. A metáfora é, usualmente, analisada tanto consciente como inconscientemente; contudo, seu principal valor como intervenção terapêutica é o de ajudar o cliente a conectar-se aos seus recursos inconscientes. O inconsciente é um vasto depósito de experiências e aprendizados que pode ser usado para conseguir as mudanças desejadas.


Metáforas na Educação


As metáforas e contos são ferramentas importantes na educação. A humanidade, em sua fase oral, utilizava os contos, os adágios, as parábolas, as metáforas, para ensinar às gerações mais jovens, a história e estórias de sua própria gente, dos antepassados míticos e heróicos. Os modernos conceitos de metáfora, baseado na obra de Milton Erickson, adotados pela PNL, incluem símeles, parábolas, alegorias ou figuras de linguagem que impliquem uma comparação. Mas as histórias, fábulas e parábolas constituem suas formas mais evoluídas.

Na sala de aula na comunicação com os alunos o professor deve deixar lacunas no índice referencial: "Em um país longínquo…", "Era uma vez um velho rei…". Trabalhar com verbos inespecíficos: chegar, dizer, fazer, discutir, etc. e com nominalizações: espírito, sabedoria, esperança, santidade, amor, verdade, etc. Disfarçar as determinações ou sugestões, colocando-as a boca de personagem: "Eu não sabia, mas o cordeiro sabia!".


Como se cria uma metáfora para mudança pessoal

1. O primeiro passo, para se criar uma metáfora é saber o estado atual e o estado desejado do ouvinte. A metáfora será a história ou a jornada de um ponto para o outro.

2. Decodifique os elementos de ambos os estados: pessoas, lugares, objetos, atividades, tempo, sem perder de vista os sistemas representacionais e submodalidades de cada um desses elementos.

3. Escolha um contexto adequado para a história. De preferência um que seja interessante, e substitua os elementos do problema por outros elementos, porém mantendo a relação entre eles.

4. Crie a trama da história de maneira que ela tenha a mesma forma do estado atual e conduza-a, através da estratégia de ligação, até a solução do problema (o estado desejado) sem passar pelo hemisfério esquerdo, indo direto ao inconsciente.

Use o poder das metáforas sempre que tiver uma oportunidade: em casa, no trabalho, na escola, como os amigos, filhos e etc.

Sempre tive o habito de enviar metáforas para meus amigos, certo dia fui surpreendida com a resposta de uma amiga que dizia: “Não sei como você sabia, mas essa mensagem chegou na hora certa. Salvou o meu dia. Muito obrigada!”.

Não é realmente interessante o poder de uma simples estória? Por isso em nosso site temos uma sessão dedicada a metáforas, acesse, toda semana temos uma nova mensagem para você.

http://www.institutovencer.com.br/Metaforas.aspx

Um beijo no seu coração (Metaforicamente falando).
Eliane Santos
Trainer em Programação Neurolingüística,
Certificada em Hipnose Ericksoniana e Treinamento Comportamental.


Bibliografia:
Manual de Programação Neurolingüística - PNL (Editora: Qualitymark ) - Joseph O'Connor
Manual de Programação Neurolingüística (São Paulo: Edição do Autor, 1996) - José Carlos Mazilli
Metáforas - http://imerj.med.br/metaforas.htm
Golfinho impresso Nº53 JUN/99 - João Nicolau Carvalho 


Compartilhe esse artigo:
© 2008 Instituto Vencer de Desenvolvimento Humano.
Todos os Direitos Reservados
Av. Mal. Floriano Peixoto 16, cj. 208 - Gonzaga - Santos/SP - (13) 3219-7766